Publicada em 11/09/2009
Empresas entram na campanha e ajudam funcionários a parar de fumar
Um ambiente totalmente livre do tabaco. O Grupo Schahin tinha esse objetivo e conseguiu cumpri-lo. Primeiro, criou uma área de bem estar e qualidade de vida e fez nascer a campanha “Viva Bem, Trabalhe Bem”, em que um dos braços é justamente outro programa, o “Viva melhor sem Tabaco”.
O gerente de saúde corporativa, Paulo Roberto Spezi, conta que em abril deste ano a empresa fez uma pesquisa entre os 500 funcionários para saber quantos fumavam, quantos desses gostariam de parar e quantos queriam ajuda. “Já aí fizemos um bom mapeamento. 75 colaboradores fumavam e 80% queriam parar. Começamos a ação com palestras explicativas sobre os malefícios do cigarro e formamos o primeiro grupo de pessoas que já quisessem tentar um tratamento mais sério.”
17 pessoas se animaram e, a partir do grupo formado, Spezi conta que a empresa trabalhou pensando em três bases: orientação médica, psicológica e subsídio de 50% nos medicamentos indicados.
Amilton Furtuoso era um dos mais motivados. Aos 37 anos, depois de 21 fumando (!), decidiu que tentaria parar. “Há muito tempo minha família pedia isso. No começo achava que poderia parar de fumar a qualquer momento, inclusive sem a utilização de nenhum medicamento. Mas descobri que não é bem assim…Quando fiquei sabendo que a empresa iria oferecer o tratamento, me inscrevi.”
O apoio corporativo, para Amilton, foi fundamental. “Temos uma psicóloga especialista no tratamento da dependência que nos forneceu técnicas e formas de diminuir a vontade de fumar.”
O médico explica: “Uma vez por semana, o grupo se reúne por uma hora com a psicóloga – que, aliás, foi contratada só para esse trabalho especial antitabagista. Disponibilizamos também um ambulatório especializado para aqueles que precisassem de algum apoio em qualquer dia da semana.”
O resultado? 15 das 17 pessoas já pararam de fumar. Entre as quais, Amilton: “no começo foi muito difícil, mas aos poucos e com auxílio da família, e das pessoas que participaram do tratamento, consegui parar. “
A empresa, que tinha 15,5% do quadro de funcionários formado por fumantes, já pretende diminuir para 10% até o final do ano. Spezi afirma que, para isso, também decidiram ainda em junho (antes da lei antifumo) acabar de vez com o fumódromo que ficava ao lado da recepção. Também estão organizando novos grupos de pessoas que querem largar o cigarro. Para ele, é muito importante toda essa ajuda por parte da empresa porque as pessoas, muitas vezes, têm vontade de parar, mas não têm motivação suficiente para isso. Afinal, procurar um médico por conta própria, agüentar sozinho um tratamento, acaba sendo muito mais difícil.
“As reuniões acontecem dentro da empresa, dentro do horário de trabalho. Por ser tudo em grupo, também ajuda as pessoas a se conscientizarem, mudarem de estágio e a não cair em tentações e fraquezas.”
Nosso personagem está firme e forte! Depois de quatro meses sem cigarro, garante que a vida está bem melhor agora. “É uma luta quase que diária contra a vontade de fumar. Mas muita coisa mudou. A disposição para fazer coisas, o fim do cansaço, a melhora do paladar, o cheiro das roupas, mãos, a autoestima. Sim, valeu muito a pena!”
Reconhecimento
Pela ação, a Schahin garantiu inclusive uma premiação. Ganhou o selo de ouro oferecido pelo Cepalt – Comitê Estadual para Promoção de Ambientes Livres de Tabaco, órgão da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Criado em agosto de 2007, por iniciativa do Cratod (Centro de Referência do Álcool, Tabaco e outras Drogas), o selo é um reconhecimento às companhias que trabalham em prol da luta antitabagista no ambiente corporativo.
Mônica Andreis, vice-diretora da ACT – Aliança de Controle do Tabagismo, ONG que atualmente preside o Cepalt, afirma que 86 empresas já receberam esse selo e novas corporações estão solicitando o certificado.
Esclarece: “Com a nova lei em São Paulo, para ganhar o selo ouro, além de proibir totalmente o cigarro no ambiente corporativo, a empresa deve oferecer tratamento aos funcionários ou ao menos disponibilizar algum tipo de encaminhamento por meio de plano de saúde pago pela empresa, por exemplo.”
Mônica considera fundamental as empresas pensarem nesse aspecto da saúde dos funcionários e acredita que, com a lei antifumo, o número daquelas a pensar mais nisso vai aumentar.
“Tem havido uma conscientização maior na sociedade como um todo em relação ao tabagismo. Todo mundo reconhece hoje que fumar faz muito mal à saúde e também que o fumante passivo sai muito prejudicado. Também há mais preocupação na busca por qualidade de vida. Pelo lado da empresa, além de tudo isso, trabalhos antitabagistas têm sido cobrados por organismos internacionais na hora de emitir certificados e toda empresa quer ter essas certificações.”
Vale a pena dar uma olhadinha no site da ACT para saber quais outras ações estão sendo feitas e o que você também pode fazer para largar o cigarro ou ajudar alguém a tomar essa atitude.
Publicada em 11/09/2009
Popularidade: 5% [?]





