Artigos

O que faz de uma vida uma biografia? Ruy Castro responde!

ruycastroO jornalista, escritor e tradutor Ruy Castro nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em fevereiro de 1948. Na infância se revezava entre Minas e Rio de Janeiro e, por isso, hoje costuma brincar que se considera tão mineiro quanto Milton Nascimento se considera carioca, mostrando uma identificação maior com o Rio.

A carreira no jornalismo teve início no Correio da Manhã, em 1967, onde teve como companheiro de trabalho Paulo Francis, que influenciou a trajetória de jornalista, tradutor e escritor brasileiro. Ruy Castro registrou ainda passagens pelas redações de Pasquim, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, Veja São Paulo, IstoÉ, Playboy, Status e Manchete.

Em função da realização de reportagens extensas, e que se transformaram em livros, Ruy Castro traçou um caminho que o levou a ser um dos biógrafos mais conceituados do Brasil. Entre os biografados de Ruy estão Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.

Embora saibamos que as biografias de Ruy estão bem longe do mundo corporativo e empresarial, por ele ser uma referência no gênero e também por ser um apaixonado por personagens e histórias, assim como nós, o reverenciamos nesta estreia do Somos Biografia. E ele falou conosco, claro, sobre nosso tema favorito: biografias. Acompanhe:

Somos Biografia: Você virou referência em biografia depois de Carmen, O Anjo Pornográfico e Estrela Solitária. “Personagens” tão admiráveis quanto inconstantes, com diversos dilemas na vida pessoal, polêmicos, que se entregaram cada um a seus vícios – sexo, drogas, remédios, álcool. O que faz uma vida ser uma boa biografia?
Ruy Castro:
Uma vida precisa ser agitada para render uma boa biografia. Uma pessoa que só tenha conhecido o sucesso, por exemplo, só daria um livro chatíssimo. A boa biografia precisa ter drama, tragédia, morte, sucesso, fracasso e, se possível, mais sucesso.

Somos Biografia: Você mergulhou intensamente nessas histórias. Mas biografar cansa ou é um privilégio trabalhar em um tema por anos? Li em algum lugar que você não iria mais escrever biografias…
Ruy Castro:
É um privilégio mergulhar na vida de alguém por bastante tempo, mas o trabalho também não pode se estender demais — pode azedar. Levei dois anos no Nelson, três no Garrincha e cinco na Carmen. Foi o que cada livro pediu. Ou então sou eu que me boto mais dificuldades a cada livro. Quero ouvir cada vez mais gente, mergulhar mais fundo etc. Talvez por isso o “Carmen” seja, de todos, disparado o melhor, na minha opinião.

Somos Biografia: Recentemente você deu um curso em São Paulo sobre biografias. Qualquer pessoa pode biografar?
Ruy Castro:
Não, não creio que qualquer pessoa possa se tornar biógrafo. Precisa ter um tesão absoluto pela busca da informação, um grande empenho em não desistir diante das inúmeras dificuldades, saber fazer perguntas, saber ouvir as respostas, saber organizar as informações e, finalmente, saber botá-las no papel.

leitorapaixonadoSomos Biografia: Sobre seu mais recente livro O Leitor Apaixonado – não poderíamos dizer que são pequenas biografias de grandes nomes? E esse “leitor apaixonado” é você?
Ruy Castro:
Claro, o “leitor apaixonado” sou eu. Sempre fui. E pretendo também ser um “escritor apaixonado”. É verdade, o livro trata do lado humano dos escritores, donde pode-se chamar a maioria dos textos de miniperfis.

Algumas obras publicadas:
Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova – 1990;
O Anjo Pornográfico: A vida de Nelson Rodrigues – 1992;
Saudades do Século XX – 1994;
Estrela Solitária: Um brasileiro chamado Garrincha – 1995;
Ela é Carioca – 1999;
Billac Vê Estrelas – 2000;
O Pai que era Mãe – 2001;
A Onda que se Ergueu no Mar – 2001;
Carnaval no Fogo – 2003;
Flamengo: Vermelho e Negro – 2004;
Amestrando Orgasmos – 2004;
Carmen: Uma biografia – 2005;
Um filme é para sempre – 2006;
Tempestade de Ritmos – 2007;
Era no tempo do rei: Um romance da chegada da corte – 2007;
O leitor apaixonado – 2009

Participações, adaptações e antologias
O Melhor do Mau-Humor: Uma antologia de citações venenosas;
Contos de Estimação;
Alice no País das Maravilhas;
O Poder de Mau-Humor;
Querido Poeta: Correspondência de Vinícius de Moraes.

Popularidade: 5% [?]

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Blogosphere News
  • email
  • LinkedIn
  • MySpace
  • PDF
  • RSS
  • Technorati
  • Yahoo! Bookmarks
  • Live

Artigos, BiografiasComments (0)


Tags:
  • Blog

Enquete

Qual o maior problema que você sente na sua empresa ou na sua carreira?

View Results

Loading ... Loading ...

Painel de Controle