24/08/2010
*Rafael Vazquez escreve sobre relações internacionais, geopolítica e economia global.
Já passou. A Copa do Mundoa acabou há quase dois meses e aquela dor inimaginável parece ter ficado para trás. Sobretudo depois do surgimento de uma energia tão nova chamada Mano Menezes.
Porém, passadas minhas férias e um período atribulado de muito trabalho, sinto ainda necessidade de falar no assunto. Acho até melhor retomar o assunto agora quando não dói mais tanto sobretudo no coração de nossas crianças essa derrota de 2010. Sim, porque pegarei no pé e poderia ser apedrejado por isso logo depois da desclassificação brasileira.
O Brasil ficou triste, muito triste no mês de julho. Pela segunda vez consecutiva, a seleção terminou uma Copa do Mundo em oitavo lugar. Países como Islândia, Noruega ou Canadá, sem tradição de conquistas futebolísticas, comemorariam essa classificação como uma vitória nacional. Mas a nação pentacampeã não poderia se contentar com esse grande desastre. Não por coincidência, o futebol muitas vezes substitui a religião em um dos ditos históricos de Karl Marx. “O futebol é o ópio do povo”.
Pode parecer radical, ranzinza ou até mesmo antipatriótico – já que o país em questão é o mesmo para o qual Pelé, Tostão e Rivelino marcaram gols que alegraram os anos de chumbo da ditadura militar. No entanto, é curioso que nenhum brasileiro chore quando saiba que o grande campeão do futebol sempre amarga posições baixas nos índices que medem o desenvolvimento social e humano.
Ninguém chorou em 2009 quando o PNUD divulgou que o Brasil ocupa o 75º posto no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), atrás de países que nunca disputaram uma Copa como Venezuela e Panamá. Talvez chamasse mais a atenção se os jornais publicassem que a Argentina está bem à frente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveita qualquer oportunidade para repetir que 46 milhões de brasileiros deixaram de ser pobres e ascenderam à “privilegiada” classe consumidora. Não deixa de ser um êxito, mas é imprescindível saber que esse não é o objetivo final para promover o bem-estar de um povo. Se apenas consumir trouxesse felicidade, a sociedade norte-americana não seria tão condizente com a beligerância de seus governos.
O desafio real é transformar esses pobres consumidores em cidadãos; com direitos respaldados pelo Estado e respeitados pelos brasileiros que detém a maior parte do poder aquisitivo e político. Um exemplo paradigmático: nas favelas há muitos consumidores que ganham sua renda por meios legais e podem entrar em shopping centers direcionados à classe C para comprar – verbo tão em moda e tão mal utilizado em todo o mundo –, mas esses mesmos consumidores são agredidos frequentemente pela polícia e discriminados socialmente por um grupo de 10% que detém mais 70% da riqueza.
Está claro que o Brasil melhorou muito, principalmente depois de 1994 com o sucesso do Plano Real, utilizando bem as ferramentas econômicas do monetarismo liberal do senhor Friedman e dos garotos da Escola de Chicago. Porém, basta prestar atenção em alguns filmes independentes de Hollywood que retratam a periferia nos Estados Unidos para perceber que não é um modelo a ser totalmente seguido – entre os países desenvolvidos, é um dos que apresenta a maior concentração de renda.
O futebol é uma paixão e a liberdade de sofrer ou não com as derrotas da seleção e dos times também faz parte dos direitos de cada cidadão. Por outro lado, é inadmissível que o técnico da seleção seja mais importante que um ministro de Educação ou do Desenvolvimento Agrário em um país que está em 54º lugar nas avaliações internacionais de qualidade de ensino realizadas pela OCDE – a lista tem apenas 57 países – e possui uma concentração de terra abismal que segue crescendo – segundo o IBGE, em uma estrutura na qual 0 é perfeito e 1 é o pior dos cenários, a concentração de terras no Brasil aumentou de 0,856, em 1995, para 0,872 em 2006.
Vale repetir que a década que começa a partir de 1 de janeiro de 2011 pode ser o período de consolidação do Brasil como modelo de crescimento. Mas, para que em 2020 o balanço seja positivo, os grupos pertencentes à verdadeira elite, principalmente à classe empresarial, devem liderar uma evolução na mente das pessoas. O verbo comprar e mesmo o futebol precisam ser ultrapassados por outros valores mais importantes para o desenvolvimento humano. É fácil imaginar para quem tenta. E imaginar é o primeiro passo para executar.
Rafael Vazquez é jornalista, pós-graduado em Análise Econômica pela Fipe/USP e atualmente vive em Madrid, na Espanha, onde cursa especialização em Informação Internacional e Países Subdesenvolvidos pela UCM (Universidade Complutense de Madrid).
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24/08/2010
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Falar sobre livros para mim é algo que adoro. Sou realmente apaixonada por livros, desde pequenininha. Me envolvo nas histórias. Me projeto. Quando pequena lia muitas histórias em quadrinhos. Adorava o tio Patinhas, o pato Donald e seus sobrinhos, a Mônica, o Cebolinha, a Magali, o Cascão. Ah, o Cascão. Quem não teve um amigo na infância que não foi chamado de Cascão pela falta de banho? Li o Sitio do Pica Pau amarelo do Monteiro Lobato e queria tanto ter uma empregada que cozinhasse como a Anastácia…e o que falar de ter uma amiga boneca como a Emília. E eu estava em todas as aventuras da Narizinho e do Pedrinho. 
À medida que a globalização se estende, torna-se cada vez mais latente a necessidade de desenvolver uma visão do mundo e das relações em sociedade pautada nos aspectos da civilidade. E nesse movimento, cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade no que cabe à formação de uma interface mais humana. 
As vitrines fazem parte desse programa de ação das marcas. Cada vitrine deve contar sua história, visa identificar uma marca e valorizar um produto, deve atrair e seduzir os consumidores a entrar nas lojas e, obviamente, a comprar!

