*Letícia Fagundes cuida do conteúdo deste site e escreve e fala sobre tudo o que vem à cabeça.
Sou mulher e, por uma feliz coincidência, nasci num 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Sempre nesta época penso sobre destacar ou não a data. Afinal, por que ter um Dia da Mulher? Deveríamos ser valorizadas sempre. E não apenas nesta “semana da mulher”. E não deveríamos ser valorizadas porque somos mulheres, mas sim porque somos competentes, trabalhadoras, bonitas, boas mães, boas esposas, boas filhas, boas amigas.
O que quero dizer é que não gosto muito do discurso de camadas da sociedade que um dia sofreram preconceito e que, por conta disso, usam a própria característica, seja ela qual for, como bandeira. Negros, mulheres, homossexuais …é fato que todos esses grupos sofreram muito em algum momento da história. Fato também é que alguns ainda sofrem. Maaaas, não voto em mulheres só porque são mulheres, não contrataria uma mulher pelo simples fato de ser mulher.
Não acho que devamos ter como meta nos segregar por nossos gêneros, cores, religiões, sexualidades… Definitivamente não acho lógico acreditar que apenas por ser mulher, todas as mulheres estarão do meu lado.
Não gosto de sexismo. Amo, sim, a diversidade.
Porém, também considero bacana lembrar a data e refletir sobre a questão de que se hoje estamos no patamar de hoje, é graças a muitas que quebraram barreiras ainda maiores, queimaram sutiãs, morreram lutando por uma representatividade mais digna no contexto familiar, no mercado de trabalho, na sociedade.
Existem duas versões para a escolha do 8 de março. Uma diz que nessa data, em 1857, 129 operárias de uma fábrica têxtil de Nova York entraram em greve. Além de salário igual ao dos homens, elas reivindicavam a redução da jornada de trabalho, que era de até 16 horas diárias. Os patrões trancaram as operárias e incendiaram a fábrica. Todas as grevistas morreram queimadas. A outra faz referência a uma manifestação de operárias em de São Petersburgo, em 1917 (fonte: Guia dos Curiosos – que, aliás, tem outras curiosidades sobre a data e sobre mulheres).
Já que, então, temos uma data especial, acho que vale sim a homenagem. Mas que fique claro que não é apenas durante este dia, essa semana ou esse mês que devemos falar sobre as histórias delas. Podemos, sim, aproveitar para enfatizar mais trajetórias interessantes e continuar lutando por mais igualdade. Não acho lógicas também nossas diferenças salariais em relação aos homens, em pleno 2010.
Por conta de tudo isso, às mulheres empreendedoras, cheias de energia, lutadoras em suas rotinas, mães, esposas, filhas, amigas, namoradas…um PARABENZÃO!! Mas só a elas. Não vamos nos iludir…nem todas são assim.
Letícia Fagundes é jornalista multimídia. Atualmente, produtora do jornal Repórter Brasil, da TV Brasil, e gerente de conteúdo e relacionamento do site Somos Biografia.
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