Liderança

Fernanda de Lima – CEO, casada e mãe

Fernanda de LimaFernanda de Lima é uma dessas mulheres referência para todas as mulheres. E o que é uma mulher referência? Oras, é uma mulher equilibrada. Mulher que consegue ter uma trajetória profissional brilhante e uma vida pessoal feliz. Ela é CEO de uma corretora. Ela é casada e é mãe. Mãe de 3 filhos!!!

Ela não deve ter tempo pra nada! Talvez seja bastante corrida mesmo a vida dela. Mas, fato é que Fernanda marcou a entrevista conosco muito rapidamente e atendeu ao nosso chamado prontamente. Durante a conversa também comentou algumas vezes sobre amigas, filhos, vida social. Ou seja, ela tem vida sim.

Hoje, Dia Internacional da Mulher, Fernanda comanda um evento focado em finanças para mulheres no Espaço Dela (todos os detalhes no nosso blog).

Conversamos com ela um pouquinho sobre tudo. Na tentativa, sempre, de inspirar. Segue abaixo:

Somos Biografia: O tema economia e finanças é algo muito diferente entre homens e mulheres?
Fernanda de Lima:
Sim. A mulher nasce sabendo mexer em orçamento da família, cuida de toda a logística da casa. Mulher sabe economizar, pesquisar preço, melhores produtos. Isso é economia e finanças. Mas na hora de tomar a decisão de investir é um bloqueio. Ela delega para o homem. E ele assume essa responsabilidade. Isso é um pouco cultural. As mulheres são educadas para tomarem mais cuidado do que os homens. Em tudo. Então, elas acabam com mais medo de tomar risco. Isso reflete na hora de investir. A mulher tem mais medo de errar. Portanto, até mesmo mulheres bem sucedidas não se envolvem com investimentos. Tenho muitas amigas muitíssimo bem sucedidas que não se arriscam a investir o próprio dinheiro.

Somos Biografia: E como envolvê-las?
Fernanda de Lima:
O Espaço Dela se encaixa neste contexto. Acredito que com educação financeira é possível envolvê-las. Afinal, para investir a pessoa precisa saber cuidar do seu dinheiro e entender o seu próprio orçamento. Hoje, a mulher vive mais, ganha menos, se separa mais. Ou seja, está mais sozinha por mais tempo. Ainda assim ela se sente menos confortável com dinheiro. Ela delega para terceiros uma decisão que deve ser dela. Pode compartilhar, mas não terceirizar. A mulher ainda não tem atitude proativa, não tem controle sobre o próprio dinheiro. Não adianta ter uma carreira profissional de sucesso se a gente não sabe o que fazer com as nossas conquistas. A única independência verdadeira é a financeira. E independência financeira não é apenas ter dinheiro, é saber o que fazer com esse dinheiro.

Somos Biografia: E como será a palestra de hoje?
Fernanda de Lima:
A palestra é simples em termos de conteúdo técnico. Aliás, planejamento financeiro é algo simples. Para as mulheres que ainda se assustam com o tema há uma boa comparação: é como dieta: precisa ter constância, foco, objetivo, persistência. Não é nada complexo. O evento hoje mostrará isso.

Somos Biografia: Você é economista e estatística. É ou foi uma profissão dominada por homens?
Fernanda de Lima:
Eu me formei em 1990. Na USP, na faculdade de economia, na minha classe, éramos em duas mulheres apenas. Hoje, as mulheres já formam metade das classes. O mercado financeiro é ainda um mundo mais dominado por homens. Mas a gente já ganha espaço e muitas mulheres se destacam. Aqui na Gradual, por exemplo, tem praticamente uma mulher por mesa de operação. A realidade está mudando.

Somos Biografia: Foi difícil entrar no mercado?
Fernanda de Lima:
Entrar não. Crescer sim. Boa parte da minha carreira foi na Europa. Ser líder mulher era estranho. E eu não tinha família lá. Você percebe que é diferente ser líder homem e ser líder mulher quando você tem que deixar de participar de uma reunião de trabalho porque não tem com quem deixar o seu bebê. Não vejo homens com esse tipo de problema.


Não adianta ter uma carreira profissional de sucesso se a gente não sabe o que fazer com as nossas conquistas. A única independência verdadeira é a financeira. E independência financeira não é apenas ter dinheiro, é saber o que fazer com esse dinheiro.

Somos Biografia: Como foi chegar ao maior posto da Gradual?
Fernanda de Lima:
Eu acho que as mulheres têm sim muitas dificuldades externas ao trabalho, porém têm também uma grande vantagem. Nós temos muita capacidade de ouvir. E o líder de hoje é alguém que sabe muito mais gerir equipes. O que vai fazer diferença é o que você vai extrair das suas equipes. E nisso acho que a gente sai na frente. E volto a falar. Acho que na hora em que a mulher perder o bloqueio, perder o medo assumir riscos, vai crescer vertiginosamente.

Biografia de Fernanda de Lima
Desde 2006, é sócia controladora e CEO da Gradual Investimentos, uma das maiores corretoras independentes do País com mais de 20 mil clientes cadastrados, e a única instituição financeira nacional que é 100% controlada por mulheres no Brasil.

Formada em Matemática e Economia pela Universidade e São Paulo, é autora do livro “Viva Melhor Cuidando da sua Saúde Financeira” (editora Saraiva) e contribui com vários artigos para os portais UOL, iG, MSN, Revista Cláudia, Vida Executiva e Você S.A.

Fundadora do portal InfoMoney, o maior portal independente focado em finanças do País, que conta hoje com mais de 1,5 milhão de visitantes únicos e cerca de 13 milhões de Page views por mês. De 1991 a 2000 morou em NY e Londres atuando como Vice Presidente da área de Fusões e Aquisições do JPMorgan com foco no segmento de Instituições Financeiras. Entre 1990 e 1991 trabalhou na seguradora do grupo Santista, onde atuava com o grupo que fazia a gestão da carteira de renda variável da seguradora. Antes disso, trabalhou na Holding Financeira do grupo onde contribuiu para o desenvolvimento de modelos econômicos para alocação da carteira dos acionistas.

Aos 41 anos, é casada e tem 3 filhos, de 11, 10 e 6 anos.

Publicada em 08/03/2010

Popularidade: 14% [?]

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Blogosphere News
  • email
  • LinkedIn
  • MySpace
  • PDF
  • RSS
  • Technorati
  • Yahoo! Bookmarks
  • Live

Biografias, Destaques, Entrevista, Finanças, Gestão, Investimentos Inteligentes, Liderança, Mercado FinanceiroComments (1)


Tags: , , , , ,

Como liderar?

carlosjulio“Líderes: temos o que queremos?”. Esse foi o nome da palestra que fechou o Conarh 2009. Apesar do congresso ser voltado 100% para a área de Recursos Humanos, há muita informação e reflexão para qualquer profissional, independente do ramo de atuação.

A apresentação de Carlos Alberto Júlio, presidente da Tecnisa, foi assim. Qualquer pessoa que a assistisse seria presenteada com tamanhas experiência e segurança na área de liderança. Sem contar o fato do executivo ser muitíssimo bem humorado e ter dado um show à parte, juntamente com Pedro Mandelli, no palco.

Os dois fizeram uma pequena brincadeira: enquanto Júlio representava os CEOs, Mandelli era os RHs. Os dois citaram antagonismos e complementaridades comuns às funções e mostraram a força que cada uma deve ter dentro de uma empresa, a importância de cada uma. A conclusão é a de que um bom RH deve ser tão líder quanto o CEO da corporação. Ao mesmo tempo que um bom CEO deve entender de pessoas tanto quanto o RH.

E qual o segredo para isso? Muito provavelmente tomando consciência e poder dessa liderança, assumindo o papel de líder. Mas como liderar? Como fazer isso? Júlio, mais uma vez, brinca: “Todo mundo quer saber o segredo do sucesso, né? Melhor ainda…tenho alunos que querem saber o atalho para o sucesso. Eu respondo: não faço a mínima ideia…O que sei é o segredo do fracasso. E o segredo do fracasso é querer agradar a todo mundo. Quem não tem habilidade de dizer não, não tem foco. E líderes têm de saber dizer não!”

Para o executivo, assumir-se líder é ter como foco a inovação. Ele pergunta à plateia lotada, só para dar um pequeno exemplo do que inovar pode significar: “Quantos de vocês estão no twitter, no facebook, no linkedin? Quantos de vocês já utilizam essas ferramentas para identificar talentos, para falar com os funcionários?”

Júlio fala sobre quebra de paradigmas como um caminho fundamental para uma liderança eficiente. E por que? Ele deixa, mais uma vez, bastante claro: “Teve um tempo em que a ineficiência quebrava as empresas. Hoje, o que nos quebra é a obsolescência. Portanto, líderes: sejamos cada vez mais inovadores! Esse é o caminho.”

===
Já que estamos falando de liderança e já que estamos falando de Conarh, vale anotar uma frase muito boa dita por Olga Colpo, da Pricewaterhouse, em uma das palestras do congresso:

“Um líder que não tem talento para reconhecer outros talentos estará em breve numa situação muito dífícil.”

Leia também: Conarh – transformação se faz com pessoas

Popularidade: 2% [?]

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • Blogosphere News
  • email
  • LinkedIn
  • MySpace
  • PDF
  • RSS
  • Technorati
  • Yahoo! Bookmarks
  • Live

Gestão, LiderançaComments (0)


Tags: , , , ,

Ônus e bônus de ser líder em momentos de turbulência

O mundo ainda vive os resquícios de uma enorme e estrondosa crise financeira. Muitas empresas e, sobretudo, indústrias tiveram de demitir muita gente, ajustar recursos, mudar estratégias. À frente dessas companhias ou mesmo de governos que atuaram determinantemente nesse período – vide o presidente Barack Obama injetando bilhões na economia americana – estão pessoas que devem tomar decisões: os líderes.

Nessa hora, para quem não está numa posição de liderança, vem à cabeça: “ufa!” Afinal, se decidir, quando a maré está boa, já não é fácil, fazer isso em momentos de turbulência, menos ainda.

Então, como ser líder em cenários tão difíceis como o de 2008/2009? Como delegar de modo que menos pessoas fiquem sem trabalho, de modo que o seu negócio sobreviva mesmo diante de tantos problemas?

Desafiamos dois experts no assunto para falar sobre liderança responsável, tema que, inclusive, será discutido na abertura do CONARH 2009, que acontece neste mês de 18 a 21 de agosto, em São Paulo.

Dr. Jô Furlan – médico, palestrante motivacional e consultor de liderança.

“Quando a gente fala em liderança responsável, é necessário pensar: responsável com o quê? A minha responsabilidade é a longevidade da minha empresa? É com o lucro? É com a ética? Primeiro, tem que saber isso.
Eu penso também que líder responsável é aquele que realmente assume a responsabilidade, é aquele que tem autoliderança, é aquele que está disposto a contribuir e não receber.

E não é uma questão de experiência e sim uma questão da experiência que ele adquire ou adquiriu na adversidade. É dar um passo para trás para, depois, dar dois para frente. O líder responsável justamente deve encontrar um caminho que vá além do caos. Deve ajudar a empresa a acreditar que é possível passar por tudo isso. O problema é que tem muita gente que só está acostumada a acertar. E aí, quando perde um pênalty, o mundo acaba.

Por isso, liderança responsável é muito mais do que uma opção, é uma obrigação.”

Bárbara Demange – consultora da DA Consulting, especializada em Recursos Humanos, Coaching e Assessment.

“A crise trouxe uma nova forma de enxergar o futuro. Primeiro, fez todo mundo aprender que é necessário trabalhar com diversos cenários. Se o cenário for A vou fazer isso e aquilo. Se for B, vou agir de outra forma. Se você não fizer um bom planejamento, você apenas vai andar conforme a tendência. E a gente não chega a lugar nenhum se não souber onde se quer chegar de fato, se não souber o que se quer, se apenas seguirmos o que todo mundo está seguindo.

Num momento difícil como esse, para ser líder e ser visto como tal, é necessário:

  • Foco
  • Visão de futuro
  • Planejamento
  • Controle (não apenas emocional, mas saber controlar gastos quando necessário, por exemplo)
  • Saber tomar decisões
  • Integridade
  • Aproveitar ao máximo os seus recursos humanos, ou seja as pessoas da sua equipe
  • Ser positivo
  • Coerência
  • Repensar seu próprio estilo constantemente – pergunte-se: ‘por que eu tomo essas decisões?’
  • Transparência
  • Ter uma perspectiva moral e ética
  • Maturidade emocional

  • E acrescento: os líderes autênticos não pensam nos bônus que vão ganhar quando estiverem nesse cargo de liderança. Na verdade, eles nunca almejaram ser líderes. Não é a meta principal da pessoa. Esses são os originais, são os responsáveis. Na verdade, o termo liderança responsável, pra mim, não existe. Porque todo líder é responsável. Aqueles que não são assim, não são, de fato, líderes. São apenas uma escolha errada.”

    Popularidade: 3% [?]

    Compartilhe:
    • Print
    • Digg
    • del.icio.us
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Twitter
    • Blogosphere News
    • email
    • LinkedIn
    • MySpace
    • PDF
    • RSS
    • Technorati
    • Yahoo! Bookmarks
    • Live

    Gestão, LiderançaComments (0)


    Tags: , ,
    • Blog

    Enquete

    Qual o maior problema que você sente na sua empresa ou na sua carreira?

    View Results

    Loading ... Loading ...

    Painel de Controle