RH

Conarh – transformação se faz com pessoas

palestraolgaeleniInformação, interação, intercâmbio, ideias. Esses “4 Is” ao lado foram marcas do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas de 2009. O 35º CONARH, maior evento de gestão de pessoas da América Latina e 3º maior do mundo, ocorreu em São Paulo e provou mais uma vez a própria grandiosidade, superando números e expectativas.
Muito debate rolou em torno do profissional de RH: desafios, responsabilidades, transformações. Nesse sentido, um destaque vai para a palestra “Os instrumentos de planejamento estratégico em RH”, ministrada por Olga Colpo, da Pricewaterhouse, e Leni Hidalgo, da Votorantim.

Ambas destacaram temas centrais em RH e concluiram que a prioridade é atrelar o trabalho de recursos humanos à governança como um todo. O RH é responsável sim por: mudança e cultura, cadeia de valor, maximização de talentos e competências, performance e recompensas, bem estar e produtividade, engajamento de pessoas.

Altíssima responsabilidade, certo? Certo. Afinal, o RH mexe com pessoas e transformações ocorrem só por meio delas. “Somos agentes transformadores dentro de uma empresa e hoje temos de ter essa responsabilidade estratégica. Sobretudo passando por períodos de crise, temos de saber transformar restrições em oportunidades.”, avalia Cezar Tégon, um dos organizadores do congresso.

Eugênio Mussak apontou também a questão da importância que o RH deveria dar aos valores das pessoas e citou uma palestra de Fernando Henrique Cardoso para passar o recado. “Estamos muito bem em competências. Nos faltam valores. E o que definitivamente forma uma relação produtiva é valor. Nada mais perigoso do que uma pessoa que tem competência, mas não tem valor.” Cabe a cada RH identificar isso numa seleção e alimentar isso entre os colaboradores já presentes na empresa.

idalbertochiavenatoOutro ponto alto do Conarh foi a homenagem inédita a uma personalidade em RH. Ralph Chelotti, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, entregou uma comenda ao professor Idalberto Chiavenato, autor de mais de 30 livros sobre administração de empresas e fundador do Instituto que leva o seu nome, referência na área de gestão empresarial e de pessoas. Chiavenato, claro, falou sobre os novos rumos do profissional de recursos humanos. “Não podemos mais só pensar em seleção, treinamento, recompensas. Isso também faz parte. Mas é mais do que isso. Nós temos de ser estrategistas. E estrategistas pensam em curto, médio e longo prazo. Pensam grande, no negócio, têm visão sistêmica e periférica.” – a fala do pensador está na íntegra em homenagem.

E em uma das melhores apresentações do Conarh – justamente a última de todas as palestras -, Pedro Mandelli também falou desse “algo mais” que o professor Chiavenato citou. O consultor deixou claro que o RH mudou definitivamente de papel, mas que talvez ainda não tenha percebido isso. Para ele, a área não é mais mantenedora, mas sim responsável pelo negócio. Praticamente deu um puxão de orelha, de maneira muito bem-humorada, mas enfática, em cada um dos presentes.

“CEOs querem RHs do lado deles com o mesmo nível de diretividade deles. Não querem apoio. RH tem que parar de pensar que é apenas apoio de presidente. Os líderes não querem ombro. Querem um sócio, um cúmplice, um responsável tanto quanto eles. Mas são poucos os preparados para isso. Eu pergunto para as pessoas: qual curso na sua área você fez ultimamente? ‘Ah eu fiz marketing, finanças…’ Eu pergunto de novo: qual curso de gestão de pessoas você já fez? Vocês devem saber apontar erros e não apenas concordar e levar em frente tudo o que o presidente diz. Mas quantos estão preparados para isso?”

Balanço final

conarhRalph Chelotti fechou o Conarh 2009 colocando em evidência a importância dos seis eixos trabalhados pelo congresso: Transformação, Liderança Mobilizadora, Relações Produtivas, Soluções e Execuções, Educação e Resultados Sustentáveis.

“No CONARH 2009 debatemos temas de importância vital para o desenvolvimento das empresas, que dizem respeito não apenas às atividades dos profissionais de RH, mas a profissionais de todas as áreas. Falamos da importância não apenas de mudar, mas de transformar as empresas; mostramos a importância de lideranças mobilizadoras, que façam a diferença em seus times; evidenciamos um fato vital para as empresas, que elas precisarão investir cada vez mais em educação corporativa se quiserem avançar, dada a carência de profissionais qualificados no Brasil; mostramos que as soluções tecnológicas, por si só, não promovem diferencial algum, pois vários estudos mostram que menos de 20% das informações relevantes das empresas passam por sistemas de informação; evidenciamos a importância das relações produtivas na construção de empresas cooperativas, que constroem sua posição no futuro e, finalmente, deixamos claro que as empresas precisam assimilar o fato de que, nos dias de hoje, os resultados precisam ser sustentáveis em toda a amplitude desse termo na atualidade.”

Para quem não conseguiu ir ou para quem foi e já está com saudade, é possível ler e assistir muito do que aconteceu nos quatro dias de evento pelo Blog do Conarh. Outra dica é o Blog da Ticket, repleto de resumos e bastidores do congresso.

E…o CONARH 2010 já está na pauta das discussões! Também pelo blog e pelo site você acompanha tudo sobre os preparativos! Agende: 17 a 20 de agosto de 2010!

Veja fotos do evento:

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Walter Sigollo – um dos 10 mais admirados do Brasil

waltersigolloFoi-se o tempo em que o departamento de Recursos Humanos de uma empresa era sinônimo de recrutamento e seleção. O RH, hoje, é braço estratégico da empresa, funcionando como primordial para os negócios. Por isso, para ser um profissional de RH é preciso estar atento a tudo e a todos dentro do ambiente corporativo. É necessário prever tendências, lidar com equipes e indivíduos de maneira que eles dêem o melhor pela companhia. Fácil? Com certeza não.

Nessa nossa estreia, separamos um RH de peso para nos dar uma breve entrevista. Walter Sigollo é superintendente de RH e Qualidade da Sabesp, já presidiu a ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos – entre 2004 e 2006, e é presidente do CRA – Conselho Regional de Administração de São Paulo. Em 2009, foi premiado um dos 10 RHs mais admirados do Brasil, segundo a Gestão e RH Editora.

Somos Biografia: Você foi eleito um dos RHs mais admirados do Brasil. Você acredita que o título se deve principalmente a que?
Walter Sigollo:
Foi uma agradável surpresa estar entre os 10 RHs mais admirados do Brasil, principalmente por este título ter origem em uma pesquisa realizada com os executivos das maiores e melhores empresas de todo o Brasil. Um dos fatores que acredito que tenha contribuído para isso é atuar como Superintendente de RH e Qualidade em uma empresa como a Sabesp, empresa reconhecida pelo mercado pela atuação junto à sociedade e que, por ser uma empresa de economia mista, convive com duas realidades, pública e privada. Esta vivência e a possibilidade de implementar práticas avançadas de gestão conduzem nossa equipe a ter um RH estratégico, o que faz com que a Sabesp se diferencie e se destaque no mercado. Além da minha atuação na Sabesp, também tenho tido uma forte participação associativa, o que tem contribuído muito para o meu aprendizado contínuo, pois já atuei como presidente na ABRH-SP, como Conselheiro na ABRH Nacional e agora como Presidente do CRA – Conselho Regional de Administração de São Paulo. Estas atividades integradas têm me permitido atuar e me desenvolver com diversas equipes de trabalho, culturas diferenciadas e realidades distintas, contribuindo muito para o meu crescimento profissional.

Somos Biografia: Muita coisa mudou em Recursos Humanos desde que você começou para hoje?
Walter Sigollo:
Durante toda a minha vida profissional pude atuar em várias áreas administrativas. Ao longo desta jornada, minha carreira foi se direcionando para a área de Recursos Humanos. Neste período, inúmeras mudanças ocorreram. Para entender esse processo é importante considerar o cenário sócio-econômico que envolve todas as organizações. Anteriormente, as áreas de RH tinham uma atuação voltada para o planejamento e controle dos processos, destacando-se muito mais por uma visão de especialista da área, desenvolvendo atividades operacionais. Hoje, as empresas têm vivenciado significativas transformações frente a globalização e competitividade, o que exige mais eficiência e agilidade das áreas de RH e, conseqüentemente, de todos os profissionais que a compõem. Este cenário tem exigido que todos apresentem um perfil muito mais arrojado, flexível, preparado para enfrentar o futuro, com foco no cliente interno e externo e em resultados, bem como aquele que tenha uma visão sistêmica do negócio no qual atua. Esta nova forma de atuar envolve também a capacidade de interagir, agregar valor às equipes, contribuir para o desenvolvimento contínuo, entender outras culturas e não apenas conduzir os processos de mudanças, mas principalmente incentivá-los. Resumidamente esse é um papel muito mais estratégico e voltado para o negócio das organizações, no qual o RH deve assumir o seu papel no desenvolvimento da estratégia da organização, na medida em que cuida com mais propriedade de atrair, manter e desenvolver as competências necessárias à realização dos objetivos organizacionais.

Somos Biografia: Na Sabesp, o RH é responsável por quais missões? É considerado braço estratégico para o negócio?
Walter Sigollo:
Na Sabesp sou responsável pelo RH corporativo, que tem como missão atuar no âmbito de toda a empresa, desenvolvendo, assessorando e orientando as Gerências e a Alta Administração, na aplicação e avaliação de conceitos, procedimentos, tendências e controles da área. E todas essas iniciativas e ações devem estar alinhadas e sintonizadas com os conceitos, princípios, pela Visão e Missão da SABESP, Políticas Institucionais e Diretrizes Empresariais. O departamento é considerado sim um braço estratégico, à medida que está alinhado às estratégias de negócio, adotando práticas que possibilitem o desenvolvimento contínuo das competências consideradas estratégicas para que a empresa possa avançar e conquistar bons resultados. A gestão de recursos humanos desenvolve ações corporativas de forma compartilhada com o corpo gerencial, sempre buscando a implementação de modernas práticas de gestão de pessoas, favorecendo uma cultura voltada ao desempenho, à competitividade e à eficácia organizacional.

Somos Biografia: O que você pode apontar como inovador que a Sabesp tem feito em termos de RH ou gestão?
Walter Sigollo:
A Sabesp sempre foi pioneira na implementação de práticas avançadas de gestão de pessoas. Como alguns exemplos, podemos destacar a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, a Universidade Empresarial Sabesp e a Gestão por Competências. O Modelo de Gestão Por Competências, adotado e internalizado na cultura dos gerentes e empregados, tem como base as competências essenciais ao desenvolvimento da organização, integrando as funções de Seleção, Avaliação, Remuneração e Desenvolvimento. Este modelo e a Universidade Empresarial estão diretamente relacionados às estratégias organizacionais, alinhando as práticas de Gestão de Pessoas aos desafios e resultados empresariais. Portanto, a Sabesp é considerada como referência por empresas nacionais e multinacionais dos mais diversos setores de atuação.

Somos Biografia: Você lidera uma equipe de quantas pessoas? Quais são, na sua opinião, os desafios de um líder que atua na sua área?
Walter Sigollo:
Minha equipe direta é composta por 60 pessoas. Como alguns dos desafios, eu poderia destacar a importância de se ter maior agilidade e atuar ainda mais de forma estratégica, contribuindo efetivamente para a melhoria dos resultados do negócio; de atuar de forma sempre alinhada aos movimentos presentes e futuros da organização. Outro importante desafio é de preparar, estimular e envolver as pessoas nos processos contínuos de mudanças que muitas vezes são necessários para que a empresa permaneça competitiva; e também transformar e viabilizar o discurso da importância das pessoas na prática de todas as organizações.

Somos Biografia: De um modo geral, as empresas brasileiras já se deram conta da importância de um RH atuante ou ainda pensam que a área é apenas responsável por recrutamento e seleção?
Walter Sigollo:
Ainda existem empresas nas quais as áreas de RH exercem apenas as funções básicas administrativas, como recrutar, remunerar, desenvolver e outros. No entanto, cada vez mais a maioria das empresas, sejam elas nacionais ou multinacionais, e principalmente as que são altamente competitivas e globalizadas, vêm percebendo que o RH também deve exercer um papel muito mais estratégico e voltado para o futuro das organizações. Elas estão cientes da importância das pessoas como elemento fundamental e diferenciado para a inovação e, conseqüentemente, para o sucesso de qualquer negócio.

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